DESIGNING HAPPINESS

Strategic Design

Desenhar a felicidade

A cidade com as pessoas mais felizes do mundo

Para responder criativamente à problemática apresentada pela OERN (Ordem dos Engenheiros da Região Norte), a IDEIA.M desenvolveu um workshop de criatividade com sua equipa interna composta por designers de produto, designers estratégicos e engenheiros, para geração de ideias para qualificar a cidade do Porto, com o propósito de criar novos desafios para a cidade.

Briefing

A Câmara Municipal do Porto gere os destinos de um município com aproximadamente 240 000 habitantes e uma área de cerca de 41 km2 que tem observado recentemente uma valorização da qualidade de vida e uma relevância turística crescente e reconhecida a nível global.
Neste estudo da IDEIA.M antecipamos e caracterizamos diferentes contextos societais emergentes e apresentamos desafios que podem proporcionar aos munícipes e aos seus visitantes a mais interessante experiência de viver a cidade. Por outras palavras, fazer as pessoas felizes.

Que ideias podemos gerar para contribuir para o desenvolvimento da cidade do Porto?

Este foi o ponto de partida para a exploração de respostas e, também, para idear sobre possibilidades criativas de alcançar os objetivos apresentados pela OERN que visam melhorar a qualidade de vida das pessoas, melhorar o ambiente, atrair visitantes e criar condições de desenvolvimento económico e emprego qualificado.

Workshop

O workshop de criatividade foi realizado em duas sessões: a primeira denominada OBSERVATION e a segunda VISION.
A sessão OBSERVATION teve 5 etapas com o propósito de manter o foco dos participantes no real/concreto, voltado para a geração de ideias no âmbito das necessidades básicas, considerando os objetivos e áreas indicados pela OERN. A sessão VISION comportou 3 etapas e o seu objetivo foi a geração de visões de futuro para a cidade e a criação de propostas para além dos resultados obtidos na sessão anterior.

Deste exercicio resultou um documento que pode ser consultado em aqui (only in portuguese)

Ideias para o Porto com foco
na situação atual.

Reconhecer as necessidades básicas com foco no momento presente auxilia a equipa a ver as oportunidades de qualificação do que já está no espectro da realidade
Este primeiro exercício criativo consiste em perceber o estado atual para sugerir possibilidades de desafios no campo do concreto, alinhar as expectativas das pessoas, e também, propor uma adição de criatividade para gerar ideias que possam melhorar a qualidade de vida dos indivíduos.

Através de votação entre o grupo, foram selecionadas as 3 ideias entendidas como as mais promissoras para serem aprofundadas:

  • Promover a descentralização cultural, social e turística.
  • Qualificar a acessibilidade.
  • Proporcionar a diversificação de eventos a fim de combater a sazonalidade.

Ideias para a cidade com
foco no futuro.

Este exercício criativo consiste em mover-se do estado atual concreto para o de vislumbrar possibilidades de desafios futuros no campo do abstrato.
Vê-se, dessa forma, uma oportunidade como a rearticulação dos problemas ou necessidades percebidas na etapa anterior de forma a inspirar a geração de novas ideias para proporcionar uma população mais feliz. Uma área de oportunidade não é uma solução. Ao contrário, sugere uma gama de direções que possibilitam à equipa criar novos resultados. Concluiu-se apresentar sugestões em torno dos tópicos seguintes: 

  • Vestir os espaços públicos
  • Adult Playful
  • Silêncio
  • New feminism
  • City for singles
  • Millenials & Xennials
  • Ginásio ao ar livre

Vestir os espaços públicos

De modo muito simplificado, poderíamos relacionar esta tendência com o interesse de cobrir e revestir os espaços para abrigo e circulação de pessoas, mas, na verdade, a proposta vai para além de uma visão funcional. Pretende-se a criação de ambientes que promovam uma experiência memorável; desde simples sistemas, como espelhos com novas perspetivas aplicáveis ao teto dos passeios ou áudio ambiente nas ruas, até aos mais complexos, como instalações utilizando materiais, estruturas e formas inusitadas, plantas e relva, com aplicação de iluminação para dar mais destaque, ou, ainda, como nuvens gigantes feitas de balões de hélio.

Desafios:

  • Promover o diálogo entre arquitetura, engenharia, design e arte para “Cobrir a Cidade” através de intervenções criativas e inusitadas em espaços públicos, tanto temporárias como definitivas.
     
  • Criar uma estrutura itinerante de constante auscultação da população sobre iniciativas do seu interesse e do seu desejo para instalação no espaço público. Este tipo de iniciativa  pode ajudar a gerar novas ideias e também a desenvolver um envolvimento da população e minimizar a depredação.
     
  • Perceber que a rua não é só uma rua, ela promove uma interação e cria uma experiência que fica na memória das pessoas, como por exemplo o El Caminito  em Buenos Aires que se diferencia pelo apelo das cores aplicadas aos edifícios, ou Camden Town em Londres que propõe uma livre expressão da cultura local através das fachadas do comércio, criando-se com isso, um ambiente com experiências unicas.
     
  • Criar mais e novos ambientes ou instalações nas ruas de diferentes zonas, com jardins verticais ou até um chão de estrelas em que as pessoas tenham uma experiencia única e convidem outros a visitar estes sítios. Dessa forma, há um estímulo para o comércio local e também pode contribui para a descentralização.

Adult Playful

Divertir-se é um sentimento  inerente ao ser humano independente da idade. A cidade pode proporcionar diversão às pessoas através dos equipamentos urbanos, inusitados, marcantes e com interação. Peças criativas, lúdicas e diferentes podem ser aplicadas a espaços públicos, para utilização de todos.
Dessa forma, as pessoas têm a oportunidade de experienciar novas maneiras de perceber o ambiente e esta nova dinâmica de criação de novas atrações pode tornar-se uma ação atraente para o local e para o comércio próximo.
Criar uma atmosfera de diversão e felicidade nos ambientes urbanos independente  da época do ano, tanto para quem vive, como para quem passa é uma tendência mundial de romper a monotonia das cidades.

Desafios:

  • Identificar zonas com potencial, mas com pouca circulação de pessoas e aplicar este recurso de “cidade playful” para dispersar moradores e turistas por zonas menos visitadas. 
     
  • Utilizar este tipo de apelo à diversão como forma de consciencializar as pessoas para ações como, por exemplo, o projeto Trash Tetris aplicado em New York para manter a cidade mais limpa ou a aplicação de realidade virtual para pratica de exercios como no projeto Urbanimals da Polônia.
     
  • Aproveitar a irregularidade dos terrenos para promover experiências únicas, como Alpine Coaster nos morros ou até a implementação de um sistema pedonal suspenso a ligar vários pontos da cidade.
     
  • Abrir espaço para a iniciativa privada potenciar zonas inexploradas. Há espaços que podem ser atraentes para esportes radicais e outras oportunidades que criam novas atrações e amplitude de eventos para a população.
     
  • Proporcionar uma conexão com o design, engenharia e arquitetura para pensar e contruir uma gama de intervenções na cidade com este tema, como por exemplo, uma rede para chill out com mídia ambiente no Cais das Pedras, onde as pessoas possam deitar e desfrutar da vista, um escorrega das Virtudes à Alfandega ou à volta dos monumentos, uma montanha russa urbana, uma ponte panorâmica transparente sobre o rio ou entre dois pontos da mesma margem, entre outras iniciativas.

Silêncio

Esta tendência pode ser considerada como uma necessidade básica, porventura desvalorizada, mas demoramo-nos a dar conta do quanto precisamos de silêncio nas nossas vidas atuais, tão intensas de informação e inquietude. Torna-se cada vez mais necessário proporcionar espaços para  silêncio e refúgio momentâneo do reboliço urbano.
Seria interessante termos pequenos recantos em que as pessoas pudessem estar em silêncio no meio da cidade. Como poderemos contribuir para algo que as pessoas precisam para serem felizes, como o silêncio? 

Desafios:

  • Criar espaços com efeito de biombos e diferentes equipamentos  urbanos em forma de bolhas ou cabines como, por exemplo, o projeto Loop ou o Bubble Office que proporciona um espaço de silêncio e maior concentração em locais coletivos com maior privacidade.
     
  • Promover uma campanha de saúde e de cuidado com o cidadão com a temática do silêncio. Este tipo de estratégia educacional é algo relevante e que chama a atenção. 
     
  • Destinar investimentos para proporcionar o silêncio em diferentes abordagens de ambientes com pequenos jardins como por exemplo o Street Park na Australia aplicado nas coberturas dos edificios, ou ainda conchas acústicas, como o Pentaphone que permite a redução de ruído de forma simples e inovadora.
     
  • Desenvolver uma comunicação visual aliada a uma tecnologia em que se possa informar as pessoas quanto as emissões de ruído na cidade.