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Viviane Peçaibes
Design strategist at Ideia.m

"Muitas empresas investem na capacitação em Design dos seus funcionários mas depois ficam desapontadas quando não veem um impacto tangível nos resultados da inovação."

O Design Thinking, para além de ser a aplicação do pensamento em design para gerar inovação corporativa, tornou-se uma mania no meio, onde os post-its coloridos nas paredes são encontrados em todas as empresas, levando as pessoas a acreditar que estão a ‘fazer’ design. Como apontado na matéria do MIT Sloan Management Review deste mês, a aplicação das ferramentas e processos criativos desta abordagem do design requer uma equipa treinada e qualificada para atender um desafio de inovação com respostas relevantes, maduras e exequíveis. Dessa forma, o pensamento em design pode ser utilizado não apenas em situações pontuais, mas também numa reformulação ampla dos processos internos e externos da empresa, a fim de gerar valor em cada estágio.

Ainda de acordo com a mesma publicação, a metodologia de pensamento de design exige equipas igualitárias e auto-organizadas, mas não é assim que a maioria das grandes empresas trabalham. Normalmente as empresas possuem líderes de projeto que muitas vezes supervisionam 12 a 15 projetos ao mesmo tempo. Isso maximiza o tempo, mas reduz a eficiência das equipas, dificulta o comprometimento e empenho, retardando o progresso.

A raiz da maioria dos problemas é a desconexão entre o pensamento de design e os processos comerciais convencionais. Afinal, a maioria dos sucessos das empresas baseiam-se na entrega de produtos previsíveis por meios repetitivos. Isso significa que as organizações, quase instintivamente, resistem ao trazer uma visão distorcida e abstrata na equação. Os funcionários muitas vezes tentam evitar tarefas de pensamento de design, de modo a evitar os hábitos e as mentalidades que a metodologia exige.

O raciocínio de uma equipa em modo ‘DESIGN’ - como Nigel Cross nomeia a aplicação da criatividade ligada a resolução de problemas - não acontece por acaso. Os designers desta equipa devem possuir a expertise, a exclusividade, o comprometimento e, principalmente, o distanciamento necessário para proceder de forma efetiva na resolução do desafio corporativo.

Portanto, a Consultoria em Design tem a capacidade de acompanhar, gerir e inovar em desafios corporativos internos como a definição de planos estratégicos, o alinhamento de equipas, o redirecionamento de produção e, claro está, a inovação em produtos e serviços, mas, também pode auxiliar em desafios de ordem externa como a avaliação de um produto no mercado, a satisfação do cliente, a geração de experiências para promoção de novos produtos e serviços,etc.

Muitas empresas investem na capacitação em Design dos seus funcionários mas depois ficam desapontadas quando não veem um impacto tangível nos resultados da inovação. Para ser bem-sucedido, torna-se  necessária a realização de um programa de pensamento de design, acompanhada por uma consultoria que possua genuinamente este conhecimento, para criar as pontes que ligam às dinâmicas sociais da organização em prol da inovação. Sem os mecanismos de suporte certos, provavelmente não se alcançarão os resultados desejados.